Os Periódicos Nacionais em Administração em debate - como operar com recursos escassos? Com a palavra a comunidade acadêmica

08-01-2020

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Roberto Brazileiro (esq) e Allan Claudius (dir)

O debate sobre as publicações acadêmicas em Administração tem sido marcado em tempos recentes por diferentes perspectivas considerando aspectos associados a impacto, inserção internacional, visibilidade, dentre outros. Embora sejam temas estratégicos e de grande alcance em termos da efetiva integração científica às redes globais de pesquisa, é preciso lembrar também que a própria organização e operação dos periódicos nacionais exige uma forte ação cotidiana e estratégica, considerando o expressivo número de revistas que a área possui e os custos decorrentes da manutenção destas estruturas de funcionamento.

Com efeito, diferentes professores e pesquisadores com passagem por editorias cientificas e coordenação de programas de pós graduação tem apontado as dificuldades existentes e possíveis alternativas para proporcionar um ganho solidário e cooperativo a toda comunidade cientifica que atua na Administração.

Em recente debate, os professores Roberto Brazileiro Paixão e Allan Claudius Queiroz Barbosa discutiram possíveis alternativas a este contexto.

Roberto Brazileiro, professor da EA/UFBa, foi Coordenador e Vice-Coordenador do Núcleo de Pós-Graduação em Administração da UFBA (2015/2017 e 2017/2019), o qual é mantenedor da revista O&S. Atualmente em estágio pós-doutoral na University of Minnesota, ele afirma que um dos grandes dilemas dos periódicos na atualidade é sua viabilidade econômica. Na sua visão, a escassez de recursos públicos e o aumento do número de revistas põem em xeque o sistema no médio prazo. Some-se a isso o dilema advindo da pressão pela internacionalização/publicar em inglês. O fato, segundo o professor, é que a maioria das revistas nasceu de Programas de Pós Graduação induzidas pela política de aumento da produção acadêmica. Porém, muitas possuem baixo impacto e nenhuma inserção internacional. Publicar em inglês ajudaria na visibilidade, mas dificilmente traria muitas citações a curto e médio prazos. Continuar com as publicações em português, por outro lado, pode trazer alguma citação no país, mas em número reduzido. Como manter no sistema, então, tantas revistas com baixo impacto? Quem vai financiá-las? Um dos caminhos apontados pelo professor é a fusão de revistas com políticas editoriais próximas.

Allan Claudius, professor titular da FACE/UFMG, editor da GeS e da APS em Revista e atualmente Professor Residente no Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares da UFMG, concorda com os argumentos de Roberto e considera que a profusão de periódicos brasileiros em Administração, se de um lado demonstra o vigor de uma comunidade que procura espaço para divulgar sua produção, por outro enfrenta os desafios da visibilidade internacional e o risco de uma endogenia e personalismo na forma de divulgar a ciência. Isto é, o crescimento de novas publicações atenderia mais os interesses individuais e de grupos específicos de pesquisa. Aliado a isso, o professor Allan aponta as dificuldades de manutenção regular de uma revista acadêmica seja pelos recursos necessários, seja pela infra-estrutura de apoio a todo processo editorial. Como saída para este quadro, propõe também que as revistas com perfis editorias similares se juntem visando o compartilhamento comum de uma plataforma editorial que minimize os custos e esforços da comunidade. Embora saiba das dificuldades naturais considerando as especificidades e interesses envolvidos, observa ser este um caminho possível e que pode indicar ainda um sinal de maturidade da área, na medida em que constrói uma saída que atenda a todos e todas.

Este debate, longe de ter respostas definitivas, é permanente e a Revista Gestão e Sociedade convida a comunidade cientifica a participar destas discussões. Mande seus comentários para ges@face.ufmg.br