ESTRUTURALISTA, PÓS-ESTRUTURALISTA OU PÓS-MODERNO? APROPRIAÇÕES DO PENSAMENTO DE MICHEL FOUCAULT POR PESQUISADORES DA ÁREA DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL

  • Alessandra de Sá Mello Costa Universidade Católica do Rio de Janeiro
  • Sylvia Constant Vergara Fundação Getúlio Vargas, FGV
Palavras-chave: Estruturalista, administração no Brasil

Resumo

O presente artigo busca identificar as aproximações e os afastamentos entre as abordagens estruturalistas, pós-estruturalistas e pós-modernistas por meio da investigação das categorizações epistemológicas do pensamento de Michel Foucault feitas por pesquisadores da área de administração no Brasil. Os procedimentos metodológicos de investigação foram divididos em dois momentos. Primeiro, foram pesquisados os artigos publicados nos últimos dez anos nos anais de dois dos mais representativos encontros científicos da academia de administração no Brasil: o Encontro Nacional da ANPAD (EnANPAD), encontro anual, e o Encontro de Estudos Organizacionais (EnEO), que ocorre de dois em dois anos. A pesquisa foi feita nos artigos que referenciavam Michel Foucault no título ou no escopo do resumo. No que diz respeito ao número de ocorrências encontradas, os resultados obtidos totalizaram 41 artigos. Em um segundo momento, após a identificação dos artigos, estes foram lidos e analisados de forma a identificar como Michel Foucault é categorizado por cada um dos pesquisadores em questão. Os resultados obtidos na pesquisa levam a crer que as questões epistemológicas ainda não fazem parte do corpo de preocupações de grande parte dos pesquisadores brasileiros na área de administração. Tal ausência apresenta-se, ao mesmo tempo, significativa e preocupante. Significativa, porque mostra que os pesquisadores brasileiros não estão preocupados com o contexto teórico de produção e disseminação das idéias, incorporando-as como verdades em suas pesquisas de forma descontextualizada e acrítica. E preocupante, uma vez que a luta por poder no campo das idéias não significa apenas um embate em torno dos melhores postos acadêmicos, posições institucionais e governamentais de financiamento ou um lugar de destaque nos comitês editoriais dos periódicos mais influentes. O perigo reside em uma dimensão complementar e inerente a essa: é por meio da confrontação das idéias que se decide o que vai ser lido, como vai ser lido e por quem. Ou seja, os teóricos organizacionais encontram-se, na atualidade, em uma posição histórica em que as certezas ideológicas estão sendo questionadas por meio de debates sobre a natureza da organização e os meios intelectuais mais adequados ao seu estudo. Neste contexto, não se preocupar com questões epistemológicas é prescindir de participar dos polêmicos, controversos e - por isso mesmo – enriquecedores debates políticos acerca das formas possíveis de se produzir conhecimento na área de administração. E abrir mão de questionar projetos políticos pedagógicos diferenciados e articulados com a realidade profissional com implicações para toda a sociedade é, nos próprios termos foucaultianos, se inserir como pesquisador de forma alienada na contemporaneidade.

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Biografia do Autor

Alessandra de Sá Mello Costa, Universidade Católica do Rio de Janeiro
Professora da área de Organizações do IAG da Universidade Pontifícia Católica do Rio de Janeiro (PUC Rio). Doutora em Administração pela EBAPE - Fundação Getulio Vargas, Mestre em Administração de Empresas pelo IBMEC-RJ e Graduada em Administração e em História. Possui interesse de pesquisa nas áreas de: História e Memória Empresarial, História da Gestão, Estudos sobre Elites Empresariais no Brasil.
Sylvia Constant Vergara, Fundação Getúlio Vargas, FGV
Doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1986). Professora Titular da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas
Publicado
11-06-2012
Como Citar
Mello Costa, A. de S., & Vergara, S. C. (2012). ESTRUTURALISTA, PÓS-ESTRUTURALISTA OU PÓS-MODERNO? APROPRIAÇÕES DO PENSAMENTO DE MICHEL FOUCAULT POR PESQUISADORES DA ÁREA DE ADMINISTRAÇÃO NO BRASIL. Gestão E Sociedade, 6(13), 69-89. https://doi.org/10.21171/ges.v6i13.1527
Seção
Artigos